Como estudar português para concurso?

Independente do nível, do cargo e da instância, Português é uma disciplina obrigatória e basilar em todos os concursos.

Erroneamente subestimada por muitos candidatos, que focam em disciplinas específicas e esquecem da famigerada Língua Portuguesa, essa única área pode garantir a sua vaga ou eliminar suas possibilidades de consegui-la.

Nesse artigo, você verá tudo que precisa sobre Português para concurso público: como estudar, o quê estudar, exercícios, dicas, questões frequentes e tudo organizado em tópicos bem detalhados.

Pronto? Então veja abaixo alguns pontos essenciais antes de partirmos para os 15 conteúdos mais frequentes e seu estudo mais aprofundado. Vamos lá!

COMO ESTUDAR PORTUGUÊS PARA CONCURSO?

 

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Português é uma das matérias mais importantes de um concurso público, veja como estudar português para concurso corretamente.

Como dito anteriormente, a Língua Portuguesa é matéria obrigatória e sempre com maior peso nos concursos públicos e ainda assim é ignorada por muitos concurseiros, equivocadamente.

O erro vem de três pontos: 1) achar que o que aprendeu no Ensino Médio basta; 2) achar que não precisa estudar e considerar o conteúdo como “já adquirido” por ser a língua materna; 3) não saber como estudar. A tríade da reprovação. Não adianta passar em todas as outras áreas e reprovar em Português: matéria obrigatória e eliminatória.

As questões de Português para concurso não são as mesmas do ENEM ou do seu Ensino Médio. Dependendo do cargo, pode ser algo bastante complexo, já que exigem uma excelente comunicação e domínio da língua para atuar profissionalmente.

Portanto, é importante estudar a fundo e praticar exercícios para afixação do conteúdo. E a melhor forma de fazer isso é:

  • Observar no edital o conteúdo específico de Língua Portuguesa que será cobrado
  • Analisar nas provas anteriores (máximo de até 4 anos) como o conteúdo foi aplicado
  • Praticar diariamente com muitos exercícios de Português para concurso. Sim, especificamente exercícios voltados para concursos públicos e não qualquer conteúdo de Língua Portuguesa com dinâmicas diferentes (como ENEM).

Embora exista alguma margem de variação, nesse artigo foram selecionados os 15 conteúdos mais frequentes, que serão tratados a seguir.

Veja a lista abaixo com cada conteúdo explicado e exemplificado e não perca as dicas de estudos que vêm a seguir!

  1. Interpretação de texto

Grande parte da sua nota depende da interpretação de texto. Não adianta dominar o conteúdo e não interpretar o enunciado para responder e não são poucos os candidatos que falham nessas entrelinhas. Afinal, o que é interpretar um texto?

O objetivo da interpretação textual é conseguir identificar e dar significado às ideias principais encontradas no texto.

Assim que identificar a ideia principal, deverá identificar as ideias secundárias, os argumentos, justificativas, explicações, tudo que esclareça o que o texto apresentou.

Em geral, a interpretação de texto possui 5 caracterizações:

  1. Identificação: quando é exigido que o candidato identifique o ponto-chave da argumentação, geralmente dado pelo verbo principal. Encontre e sublinhe: o verbo dá a ação. É ele que carrega a ação da ideia ou o que é esperado que o candidato faça.
  2. Comparação: compare as semelhanças e diferenças entre as situações apresentadas no texto (o que pede para ser feito e o contrário também).
  3. Comentar: quando o candidato deve relacionar o material ou conteúdo apresentado com a realidade, fazendo a ligação e dando sua argumentação a respeito.
  4. Resumir: centrar as principais ideias em um parágrafo só.
  5. Parafrasear: reescrever o conteúdo usando outras palavras sem tirar o significado.

Além disso, é importante atentar para um detalhe: interpretar é diferente de compreender. Interpretar é dar significado, você dá significado a partir do texto. Compreender é encontrar o significado dado pelo próprio texto.

Por exemplo:

  1. “Seguindo o raciocínio do autor, é possível CONCLUIR QUE…” (interpretação; significado que você depreendeu a partir do texto).

  2. “O autor SUGERE QUE…” (compreensão; reforça o significado dado pelo autor).

Ao interpretar um texto, sempre identifique respostas para as perguntas: O QUÊ?, QUEM?, POR QUÊ? e COMO?.

Assim, encontrará as ideias principais, o sujeito da ideia, os motivos e o modo. A partir daí, relacione com seus conhecimentos de mundo e estudos para interpretar o que está sendo apresentado. Cuidado para não adicionar informações que não podem ser provadas pelo texto fonte!

  1. Acentuação

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Dicas de português para concurso: Veja como usar a acentuação.

Acentuação é um conteúdo frequente nos concursos. Muitos não ligam para esse conteúdo, pois acham que a acentuação é algo “natural” que obedece ao modo como falamos, a fonética. Isso não é verdade. A acentuação gráfica é toda regras!

Toda palavra tem uma acentuação tônica, ou seja, uma sílaba que soa mais forte. Mas nem toda palavra tem uma acentuação gráfica. Exemplo:

  • Em “MARTE”, a primeira sílaba recebe acentuação tônica (“Mar” é a sílaba mais forte); em BRASIL, a última sílaba é que recebe (“sil”)0. Mas nenhuma delas possui acento gráfico – você não escreve “Márte” nem “Brasíl”!

A acentuação tônica é um processo da fala, enquanto o acento gráfico é parte da escrita. Por isso, obedece regras gramaticais. Para saber acentuar, você precisa saber identificar a palavra em:

  • Oxítona: palavras de 2 ou mais sílabas, sendo a última a mais forte (tônica)
  • Paroxítona: quando a penúltima sílaba é a mais forte (bola, nível, graviola)
  • Proparoxítona: quando a antepenúltima é a mais forte (cópia, cerâmica, sintomático)

Sabendo disso, basta saber que:

  • Monossílabas tônicas são sempre acentuadas (pé, já, lá, cá, só)
  • Oxítonas terminadas em A, E, O, EM, ENS (cajá, jacaré, cipó, alguém, parabéns)
  • Todas as proparoxítonas
  • Paroxítonas terminadas em L, R, N, X, US, I, IS, OM, ONS, UM, UNS, ÃO, ÃOS (fácil, cadáver, pólen, tórax, lúpus, júri, íons, álbum, órfão)
  • Nunca acentue, conforme Nova Ortografia, palavras com hiato EE ou OO (voo, veem, creem, leem, enjoo)

Muita coisa? Nada que a prática não resolva. O segredo é praticar, praticar, praticar! Vamos para o próximo tópico, que também leva muito candidato para o limbo dos reprovados.

  1. Pontuação

Pontuação é crucial para o bom entendimento e desenvolvimento de um texto. Imagine o poder de uma vírgula errada num edital oficial ou no alvará de um juiz. É muita coisa, não é? Daí a importância e a cobrança pesada de sinais de pontuação em concursos.

A pontuação de um texto são com as placas no trânsito: orientam as pessoas para que haja fluidez, para evitar confusão e tornar tudo funcional.

As pontuações são sinais gráficos e não seguem as regras da fala, mas sim da gramática. Por isso, esqueça essa ideia de marcar vírgula ou ponto final conforme sua respiração! Aqui vai o mais importante a saber:

Ponto final: indica o fim da frase. A frase deve ter um sentido completo e ser totalmente compreensível, mesmo que você continue a linha de raciocínio numa frase diferente a seguir. Exemplo:

“Comprei uma nova casa. Ela é maravilhosa.”

Dois-pontos: utilizados para esclarecer, citar ou numerar. Exemplo:

  1. “Aquele sempre fora o seu maior sonho: passar em um bom concurso.”

  2. “Então a fiscal de prova disse: – Desliguem os celulares.”

  3. Os três primeiros colocados foram: Marcos, João e Henrique.”

Ponto e vírgula: é uma pausa maior que a vírgula, porém menor que o ponto final. Indica que ainda não terminou o período.

Utiliza-se para separar orações coordenadas que estão ligadas sem conjunção (“A terra está seca; as plantas morreram.”).

Para dividir orações coordenadas caso uma delas já possua elementos separados com vírgula (“A assembleia deliberou a favor da greve: nove professores votam contra; dez, a favor.”).

E separar elementos enumerados (“Aqui você pode encontrar: pão; arroz; bolacha; feijão; e água.”)

Vírgula: a vírgula marca uma pausa, separa palavras e orações, elucida o sentido das frases. Como suas regras de utilização são muitas, aqui estão as principais:

  1. Separar localidade de datas: São Paulo, 10 de outubro de 1992.
  2. Depois de “sim” ou “não” em respostas: “Sim, aceito água.” Ou “Não, obrigada.”.
  3. Separar termos pertencentes à mesma função: “O apartamento tem dois quartos, um banheiro, uma cozinha, sala de estar e sala de jantar.”
  4. Destacar componentes intercalados: “Estudei muito, logo, serei aprovado!”; “Ele, certamente, passará no concurso”.
  5. Depois de um aposto: “Marcos, um aluno exemplar, passou de primeira.”
  6. Depois de um vocativo: “Aventuramo-nos, senhores, por mares desconhecidos!”.
  7. Para indicar elipse de um vocábulo: “Ele chorava de alegria; eu, de tristeza.”
  8. Quando a frase está invertida: “O comprovante de residência, você lembrou de trazer?”

Regra de ouro: nunca separe o sujeito do verbo com uma vírgula!

  1. Tipo textual

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É importante que você identifique o tipo textual: Narrativo, Descritivo, Dissertativo ou Injuntivo.

Tipologia textual sempre, sem exceção, cai nos concursos públicos. Mesmo nas provas que não possuem redação. É importante saber identificar os tipos textuais e suas características. São eles:

  • Narrativo: o texto narrativo conta uma história. Possui uma sequência de acontecimentos numa linha do tempo que está em andamento, pressupõe personagens e um narrador.
  • Descritivo: diferente de narrar, a descrição não acontece numa linha do tempo, nem tem uma sequência de ações ou pressupõe, necessariamente, personagens. Nele, o tempo é estático. Descrever um personagem, retratar uma cena ou um objeto não precisa envolver uma trama, nem uma história sequer. Exemplo: “A casa é grande, azul, espaçosa, com jardim, garagem, cinco quartos e uma lareira grande na sala de visitas.”
  • Dissertativo: dissertar é argumentar sobre determinada coisa, desenvolver ideias exprimindo juízos, valores, opiniões, raciocínios. Não são só descritivos nem só narrativos, podem ser pessoais ou impessoais, mas sempre argumentam em torno de um determinado problema ou assunto.
  • Injuntivo: texto impessoal, escrito no modo imperativo, com o único objetivo de dar instruções ao leitor. Exemplos: manual de instrução, manual de uso, receitas. O texto injuntivo dá instruções, mas não dá ordens. Quando o texto injuntivo usa o verbo imperativo para impor ordens ao leitor, ele é nomeado como Injuntivo-Prescritivo – receita médica, cláusulas de contrato, Constituição, ementas de lei, etc.
  1. Concordância Verbal e Nominal

A distância entre o falar e o escrever da Língua Portuguesa no Brasil causam problemas para muitos candidatos na hora de escrever ou responder enunciados que exijam concordância verbal e nominal.

A concordância nada mais é que a correspondência flexiva que ocorre entre dois termos.

Confuso? Calma! Por exemplo, veja o verbo Andar. Está na forma infinitiva, sem flexão de número ou pessoa. Lendo apenas “andar”, não é possível saber quem está praticando o verbo (eu, tu, eles – quem está andando?), nem em que tempo verbal está (já andou? Vai andar? Está andando?). A flexão aparece no final da palavra para dar essas informações:

Eu andei.

(Por causa da terminação -ei é possível saber quem praticou a ação e quando foi)

Eles andaram.

(Pela terminação -am­, sabe-se que foi mais de uma pessoa e que a ação já foi praticada).

Veja que o verbo “andar” muda conforme o sujeito: se o sujeito é “eu”, a flexão do passado é “andei”; se o sujeito é “eles”, a flexão é “andaram”.

Você não poderia escrever “eu andaram” nem “eles andei”, porque ficaria sem sentido. E ficaria justamente porque a concordância está errada, não há correspondência entre a pessoa e o verbo.

Até aqui a questão é muito simples, certo? Os candidatos realmente se confundem quando chegam aos casos particulares, que possuem regras de aplicação. Veja abaixo:

  1. Sujeito formado por uma expressão que exprime parte:

A maioria dos deputados aprovou/aprovaram a ementa.Uma parte dos candidatos passou/passaram no concurso.

  • Nesse caso, a concordância pode ser no singular (concordando com a expressão, que é singular também “a maioria”, “uma parte”) ou no plural (concordando com o sujeito que é plural, “deputados”, “candidatos”). Ambas estão corretas.
  1. Sujeito formado por expressão que aponta quantidade estimada:

Mais de mil alunos participaram da assembleia.Menos de cem candidatos passaram no exame físico.

  • Nesse caso, o verbo sempre concorda com o substantivo (alunos, candidatos).
  1. Quando o sujeito é um pronome indefinido plural ou interrogativo:

Qual de nós é mais forte?Vários deles concordaram com as sugestões.

  • Repare que, na primeira frase, embora a pessoa seja “nós” (plural), o verbo está no singular “é”, pois concorda com o pronome interrogativo “qual”, que está no singular. Já na segunda frase, a pessoa é plural (eles) e o verbo também (concordaram), pois a concordância verbal está para o pronome indefinido “Vários” (plural).
  1. Sujeito com indicação de porcentagem

25% dos vereadores de São Paulo querem o aumento salarial50% do orçamento da União é usado para pagar a dívida externa.25% querem outra eleição.1% desconhece o assunto.

  • Nas duas primeiras frases, a porcentagem é seguida de um substantivo (“vereadores” e “orçamento”), então o verbo concorda com o respectivo substantivo. Nas outras duas, não há substantivo, então o verbo concorda com o número.
  1. Regência verbal e nominal

Regência verbal é o nome dado à relação entre dois termos, quando o termo principal é um verbo que precisa ser complementado para fazer sentido. Por exemplo:
Minha mãe adora sorvete.O aluno discutiu com o professor sobre a sua nota final.

  • Repare que o verbo “adora” precisa ser complementado com algo, pois a frase não faria sentido caso fosse apenas “Minha mãe adora.”. Quem adora, adora algo ou alguém. Portanto, o complemento é sorvete. Igualmente, a segunda frase não teria sentido se fosse apenas “O aluno discutiu”, já que o verbo pressupõe uma complementação: quem discute, discute com alguém. Portanto, com o professor é o complemento do verbo.

Na Regência Nominal também é necessário a complementação, mas aqui o termo principal é um nome. Aqui, a relação de regência sempre é intermediada por uma preposição. Veja:
Ele sempre foi contrário à aprovação da PEC.Estudar é essencial para ser aprovado.

  • Observe a primeira frase: “Ele sempre foi contrário” não faria qualquer sentido, necessita de complemento para ser uma frase de sentido completo. Entretanto, “contrário” é um nome, não um verbo. Então a regência nominal é feita pela preposição “à”, que complementa a frase. Quem é contrário, é contrário à alguma coisa. Na segunda, o nome regente é “essencial” e é complementado pela preposição “para”. Essencial a ou para algo/alguém.
  1. Pronomes relativos

Os pronomes relativos são assim chamados porque fazem referência a um termo que já foi citado na frase (antecedente). Eles representam esses termos para evitar repetição. Ex.:
A pesquisa que fiz trata de Direito Penal.Não era ela quem cuidava da casa.Havia situações com as quais era impossível não ficar indignado.Naquela cidade onde tudo era tristeza.

  • Os termos que, quem, as quais e onde são pronomes relativos que fazem referência aos termos já citados anteriormente (respectivamente: “pesquisa”, “ela”, “situações” e “cidade” – os antecedentes dos pronomes relativos). São pronomes relativos: Quem, Que, O qual, Os Quais, Quanto, Quantos, Cujo(a)(s), Onde.
  1. Reforma Ortográfica

A ideia da Reforma Ortográfica era aproximar as diversas variantes da Língua Portuguesa e homogeneizar os textos e documentos, de forma a facilitar a compreensão, leitura e publicação. Por isso, a mudança é especificamente na escrita. O principal a saber é:

  • Não se aplica mais trema: linguiça, averiguar, apaziguar.
  • Não se acentua mais os ditongos oo e hiatos eem: voo, enjoo, perdoo, creem, leem, veem.
  • Não se usa mais acento agudo em ditongos abertos: ideia, joia, claraboia, odisseia.
  • Não se usa mais hífen em palavras que o prefixo seja seguido de R ou S, apenas dobra-se a consoante: minissaia (mini-saia), contrarregra (contra-regra), antirrugas (anti-rugas).
  • Usa-se hífen quando a segunda palavra começa com a mesma vogal que termina o prefixo: micro-ondas, anti-imperialista, contra-atacar.
  • Usa-se hífen quando a segunda palavra começar com H: sobre-humano, anti-hemorrágico, super-herói.
  • Usa-se hífen caso os prefixos sejam pré, além, aquém, ex, pós, sem, recém, pró, vice: vice-reitor, pró-ativo, pós-graduação, além-mar, recém-noivos, sem-teto, vice-prefeito.
  1. Coesão e coerência

O texto perfeito deve ter coesão e também coerência, ou sua compreensão será muito difícil. Coesão é quando existe uma ligação harmoniosa entre todas as partes do texto, quando as frases e parágrafos estão conectados de modo a fazerem sentido. Coerência diz respeito à significação interna, a lógica das ideias apresentadas.

Exemplo:

As casas foram inundadas porque não choveu nos últimos dias.

  • Essa frase tem coesão (sua estrutura obedece as regras gramaticais e existe uma relação harmônica estabelecida pelo conectivo porque, que dá continuidade às ideias), mas não tem coerência. Se não há chuva, não pode haver inundação. A lógica interna não faz sentido.

Joana comeu uma pizza e sua tia também.

  • Essa frase possui um problema de coesão, pois não é possível saber se Joana comeu uma pizza e também comeu sua tia ou se Joana comeu uma pizza e a sua tia comeu outra pizza. A ambiguição é um problema de coesão textual, apesar da lógica fazer sentido como está, ela é distorcida pela desarmonia na construção da frase.
  1. Orações Subordinadas

Uma frase completa pode conter várias orações dentro de si. Quando uma oração tem sentido completo, mas a outra não, pois depende da anterior, esta é chamada de oração subordinada. Por exemplo:

Vou dar-lhe um presente quando fizer aniversário.

Como temos dois verbos (dar e fizer), são duas orações distintas na mesma frase. A primeira oração, verde, possui significado completo, mas a oração em vermelho não faz sentido sem a primeira.

Ela está subordinada à primeira para que possa fazer sentido. Portanto, a oração verde é subordinante e a oração vermelha é subordinada.

Repare que ambas as orações estão ligadas por uma conjunção: quando. Por isso, é chamada conjunção subordinativa.

É a qualidade dessa conjunção que vai determinar que tipo de oração subordinada se trata: causal, condicional, final, temporal, integrante, comparativa, concessiva ou consecutiva.

Na frase acima, a oração é subordinada temporal, pois a conjunção subordinativa exprime tempo (quando).

  1. Conotação e denotação

As palavras podem ter diversos significados. Sua significação não é algo fixo e imutável. Daí a diferenciação em conotativo e denotativo.

Quando a palavra é fiel ao seu sentido original, ela tem sentido denotativo. Quando há uma extensão de sua significação, que precisa ser depreendido por associação a outros termos ou contexto, o sentido é conotativo.

Exemplo:

Os calouros da faculdade tiveram a cara pintada com guache.
O calouro quebrou a cara quando viu que o curso não era o que esperava.

Na primeira frase, cara tem o sentido original: rosto, face; por isso, o sentido é denotativo. No segundo, entretanto, “quebrar a cara” é conotativo, pois não quer dizer que o calouro realmente fraturou o rosto: tem um sentido diferente do original, que depreendemos por associação. “Quebrar a cara” é ficar desapontado, decepcionado, romper expectativa.

  1. Figuras de Linguagem

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Cabeça de abóbora é um exemplo de figura de linguagem. Mais especificamente um catacrese, que é considerada um metáfora morta.

Figuras de linguagem são recursos para tornar as mensagens mais emotivas ou expressivas.

Metáfora: usa uma espécie de comparação, evidente ou não, para imputar um sentido subjetivo. Por exemplo: “Seus olhos são como estrelas na noite” / “Seus olhos são estrelas na noite”. Ambas as frases são metáforas, imputam sentido subjetivo, mas uma tem a comparação mais evidente que a outra.

Metonímia: quando se utiliza um termo no lugar de outro, existindo entre eles uma relação de sentido ou afinidade. Exemplo: “Gosto de ler Fernando Pessoa.” (a obra de Fernando Pessoa); “Comeu o prato inteirinho.” (toda a comida do prato); “Adoro tomar Yakult” (leite fermentado, não exatamente a marca Yakult).

Perífrase: quando uma expressão designa um ser por meio de uma de suas características. Exemplo: “A Cidade Maravilhosa ainda é a mais visitada” (Rio de Janeiro); “O Pai da Língua Portuguesa morreu pobre e sozinho.” (Camões).

Sinestesia: quando uma expressão mescla sensações de diferentes órgãos do sentido. Exemplo: “Sua voz era uma melodia macia para qualquer ouvido.” (melodia = auditivo; macia = tátil); “Um carinho frio e insosso que não dizia nada sobre os dois” (frio = tátil; insosso = paladar).

  1. Discurso direto e indireto

Questões de reescrita são comuns na área de Português para concursos públicos e é aqui que o discurso direto e indireto mais aparece.

Discurso direto é a fala direta da personagem, feita pela própria (geralmente iniciado por travessão); discurso indireto é quando a personagem fala através de um narrador ou é citado por outro, não falando diretamente. Exemplo:

  1. – A natureza é minha fonte de inspiração. – disse Manoel de Barros. (Discurso direto)
  2. Manoel de Barros disse que a natureza é a sua fonte de inspiração. (Discurso indireto)

Repare que mudanças acontecem não só na presença (ou falta) do travessão no início da frase, mas também no tempo em que o verbo é empregado. O tempo verbal é a característica mais marcante do discurso indireto, já que estamos falando sobre ou de alguém.

  1. Vocativo e Aposto

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Saiba como diferenciar o aposto do vocativo.

Essas duas classes costumam ser muito confundidas, por isso vamos esclarecer – pois tudo que é confuso sempre cai em concurso!

Vocativo: como o próprio nome diz, é um termo que invoca, que chama um ouvinte real ou não. Ele não tem qualquer relação com os outros termos da oração, seja sujeito ou predicado: só está ali para chamar. Exemplo:

Não precisa gritar, Ronaldo!
A morte, meu amado, é apenas o começo!
Senhor Presidente, nós queremos ser ouvidos!

Aposto: mantém uma relação sintática com outro termo já apresentado na frase. Exemplo:

Manoel de Barros, grande poeta, foi um ícone literário.
Não se saber se o presidente Vargas foi herói ou vilão.

  1. Figuras Sintáticas

As figuras de sintaxe são conteúdos sempre cobrados em concursos públicos e aparecem como questões confusas, graças aos nomes estranhos.

Vamos descomplicar? Figura de sintaxe acontecem quando a estrutura lógica da frase é subvertida para dar maior expressão. Isso pode acontecer omitindo termos, invertendo a ordem ou outros modos.

Elipse: quando um ou mais termos são omitidos e podem ser facilmente identificados. Ex.:

Tenho que ir para casa.” (Eu tenho que ir para casa; o verbo permite identificar o sujeito)
A César o que é de César.” (Deve-se dar a César o que é de César.)

Zeugma: é um tipo de elipse, mas o termo omitido já foi mencionado anteriormente. Ex.:

“Maria gosta de Literatura; eu, de Matemática.” (omissão do verbo gostar)
“Sua casa só tinha móveis novos; na minha, só móveis velhos.” (omissão do verbo ter)

Silepse: quando a concordância não está no texto, mas sim na ideia representada. Exemplo:

“A bela João Pessoa sofreu com as chuvas.”
“Vossa Majestade está nervoso.”
“A companhia viajou unida. Passaram por quatro países.”
“Os professores fomos até o Belém do Pará atrás dele.”

  • Veja que em nenhuma das frases, os verbos ou adjetivos não concordam com o sujeito, mas sim com uma ideia implícita. Nas duas primeiras, há uma silepse de gênero, que concorda com a ideia de “cidade” e com o gênero da “majestade” (e não o substantivo, que é feminino). Na terceira frase, temos uma silepse de número, pois o verbo (plural) não concorda com o número do sujeito (singular), mas sim com uma ideia de coletividade do sujeito. E na última, há a silepse de pessoa, o verbo não concorda com a pessoa do sujeito (3ª pessoa do plural: eles), mas com o sujeito que está inscrito (1ª pessoa do plural: nós).

Pleonasmo: repetição de uma ideia ou termo, usando ou não as mesmas palavras. Ex.:

O problema das drogas, é urgente resolvê-lo.”
(O pronome “lo” tem a mesma função que o sujeito “o problema das drogas”)

Anáfora: quando se repete uma ou mais palavras no começo de várias frases, para gerar um efeito de coerência e reforço. Geralmente, são substituídos por pronomes relativos. Ex.:

“Saí com uma amiga ontem. Ela disse que te conhece.”
(“Ela” é um termo anafórico, pois repete “uma amiga” que já foi referido anteriormente)

  1. Vozes Verbais

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A voz verbal é utilizada pra saber se o sujeito é a agente ou paciente da ação.

Todo verbo indica uma ação. A voz verbal é a forma que o verbo assume para acusar se o sujeito da frase é agente ou paciente da ação. São três as vozes do verbo:

Ativa: quando o sujeito pratica a ação do verbo → Ela fez a prova.

Ela: sujeito; fez: ação; a prova: objeto (paciente da ação).

Passiva: quando o sujeito recebe a ação do verbo → A prova foi feita por ela.

A prova: sujeito; foi feita: ação; por ela: agente da passiva.

Reflexiva: quando o sujeito pratica e recebe a ação → A menina machucou-se.

A VOZ PASSIVA se subdivide em Passiva Analítica e Passiva Sintética. É analítica quando construída por um verbo SER + particípio do verbo. Exemplo:

O hospital será reformado.
A monografia é feita por ela.
É sintética quando construída por verbo na 3º pessoa + partícula “se”:
Abriram-se as candidaturas para a presidência.
Construiu-se o novo bloco da faculdade.

  1. Advérbios

Advérbios são palavras que adicionam um sentido a mais ao verbo. Compare os exemplos:

O avião chegou.
O avião chegou atrasado.

“Atrasado” é um advérbio, pois adicionou uma circunstância de tempo ao verbo principal (chegar). Existem advérbios de: tempo, lugar, modo, negação, intensidade, ordem, exclusão, inclusão, afirmação e dúvida. Exemplos:

Maria chegou cedo. (tempo)
Maria vive aqui. (lugar)
Maria agiu bem. (modo)
Maria não saiu do quarto. (negação).
Talvez ela venha. (dúvida)
Maria trabalha muito. (intensidade)
Maria jamais falou isso. (exclusão)
Maria também cresceu nos últimos anos. (inclusão)
Primeiramente, Maria é diferente delas. (ordem)

  1. Adjunto adnominal

O adjunto do nome (adnominal) é um termo que explica, define ou determina um substantivo. Eles são “acessórios” do substantivo. Por exemplo:

O escritor imortal publicou cinco grandes obras.

O sujeito é “o escritor imortal”, sendo o substantivo “escritor” o núcleo do sujeito; logo, tudo que não é núcleo, é adjunto adnominal do substantivo “escritor” (aqui será o artigo “o” e o adjetivo “imortal”).

– “Cinco grandes obras” é o objeto direto da frase. O numeral “cinco” e o adjetivo “grandes” são adjuntos adnominais do substantivo “obras”.

  1. Porque / Por Quê / Por que / Porquê

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Veja nessa tirinha como usar o Porque.

Seja para a interpretação textual, para dar respostas discursivas ou para fazer redações, o uso dos porquês é sempre uma dúvida e pode custar pontos na sua prova. Por isso, é importante elucidar a diferença e não errar mais:

Por que: equivalente à “por qual motivo” ou “por qual/pelo qual”.

Ex.: Por que você não fez a última prova? / O aquífero por que passamos é romano.

Por Quê: usado no final de frases, imediatamente antes do ponto de interrogação.

Ex.: Ele sempre passou em todas as provas, sabe por quê?

Porque: equivalente a “pois”, “já”, “como”, “uma vez que”, geralmente usada em respostas.

Ex.: Vou às compras porque não tenho mais roupas.

Porquê: equivalente a “motivo”, “causa”, “razão”.

Ex.: Não consigo perceber o porquê da sua partida.

Esse foi o material completíssimo com os 15 pontos mais frequentes em Português para concurso. Gostou? Então veja abaixo nossas dicas de Português para concurso, só para finalizar!

  1. Sempre leia o enunciado duas vezes. A primeira leitura costuma ser mais superficial e pode deixar detalhes importantes passarem despercebidos!
  2. Grife palavras importantes, especialmente verbos e negações (“indique”, “reescreva”, “justifique”, “comente”, “identifique as palavras que NÃO…”).
  3. Nunca escreva a resposta com caneta já de primeira. Faça primeiro um rascunho a lápis, leia novamente, faça a revisão e depois passe à caneta.
  4. Sempre treine com exercícios de concursos anteriores, mesmo que de outras cidades e estados. São questões que efetivamente caíram nas provas e não foram apenas “simuladas”.
  5. Leia a pergunta ANTES de ler o texto. Muita gente vai direto ao texto de referência e percebe depois que não era necessário ler o texto todo para responder ou responde errado por não ter visto o enunciado.
  6. Grife a ideia central do texto e anote ao lado. Isso ajudará a manter o foco e não fugir ao tema em redações e questões.

Quer mais dicas de como estudar para concurso? Sugiro que leia esse artigo.